Uma leitura dispersa ou Algo para correr o scroll
Como não pretendo escrutinar (ou será escrutinizar?) meu dia-a-dia diante de olhos medíocres como os seus - tão meidíocres quanto os meus - , decidi republicar nesta nova casa, alguns de meus velhos posts.
O que se segue é um texto despretensioso que escrevi dia destes. Não esperem nada além de alguns minutos de uma leitura dispersa, vaga curiosidade temperada com algum tédio e nenhum brilhantismo ou mesmo bom-humor. Àqueles que se arriscarem a ler, tanto melhor.
Posto que é um texto longo, decidi dividi-lo em três partes. E já aviso, não há versões estendias. Ei-lo:
Os Não-Lugares Primeira parte: Jd. Maria Luiza – Lrgo. da Póvora – 715-M
Sentido centro-bairro: Liberdade Queens Av. Paulista Manhatan Butantã
Que calor ! Era mais ou menos uma e meia, um puta sol. Depois dos habituais trinta minutos de paciente espera ali naquela ruazinha, finalmente ele poderia tomar o seu lugar. Pelo horário e localização, sempre podia escolher, e fazia questão, não se sabe bem por que, de sentar-se perto da porta. Exatamente no penúltimo banco. Seu lugar...
Em pouco tempo já estava acomodado, na medido possível. Logo ao sentar naquele banco de plástico cinza todo rabiscado de pincel atômico, até podia sentir algum conforto. Como se perdem as referências, não? Um banco de plástico cinza, um sol escaldante, uma mochila pesada nas costas, um walkman ligado no ouvido, resumindo: conforto.
A madrugada em Nova York estava fria, escura e chuvosa. A Dra. Kafka havia pedido ajuda ao Homem Aranha, pois seu mais perigoso paciente, um homem perturbado e violento que se auto intitulava Ratus, havia fugido da clínica e poderia fazer mais vitimas. O homem era um louco incontrolável. Enquanto balançava pendurado por suas teias, o Homem Aranha procurava desesperadamente por algum rastro do assassino.
Está ali! Eu sabia que ia acabar encontrando. Peguei você, Ratus! Nada de novas vítimas para sua lista. Socorro! Alguém me ajude! Chega de sangue desta vez eu acabo com... você!? Não me machuca, cara! Não me machuca, cara!
Putz, não era o Ratus! Era só um ladrãozinho qualquer... O Aranha está totalmente obcecado por isso.... De onde veio esse Ratus, mesmo? Que legal, o Homem Aranha tá mó irado com essa história! Que legal! Sorriu para si mesmo e continuou em Nova York. Magnífico, agora estou caçando sombras. Preciso voltar pra casa... Descansar. Recomeçar amanhã. Amanhã? Amanhã pode ser tarde demais.
Mas em outra parte da cidade um motorista de caminhão é pego de surpresa. O Ratus nem fala nada, pula no vidro do caminhão, agarra o homem pelo pescoço e o joga longe! Nossa! Que animal, esse cara é malvado mesmo! Que legal... Que calor, já deve ser umas duas horas. Oitenta e nove, a rádio rock! São duas e quinze e você acabou de ouvir ‘Losing My Religion’, com R.E.M. Ah, que saco essa música! Eles bem que podiam tocar mais heavy metal, né? Nossa, que trânsito! Hoje eu não chego em casa.
Que calor... Peter Parker não consegue nem dormir a noite toda. Na manhã seguinte ele vai com sua esposa, Mary Jane, e com sua tia May ao cemitério. Seus rostos não escondem o pesar, eles foram visitar os túmulos dos pais de Peter. Richard era um menino especial... Como Peter! Puxa, a pobre tia May está super triste. Era uma manhã ensolarada em Nova York, mas o Homem Aranha continuava obcecado por capturar o Ratus antes que ele fizesse mais vítimas.
Olhou pela janela e reparou em alguém. Em meio àquela multidão de rostos, roupas, memórias e pressas, ele olha para aquele executivo de terno. O homem, com uns 35 anos talvez, esperava nada paciente o sinal de pedestres ficar verde. Terno escuro, exatamente igual a todos os outros. Ele sim tá com calor, eu de camiseta estou derretendo, imagina aquele cara. Concordou com a cabeça como se conversasse com alguém. Olhou para o outro lado. Uma mulher gorda, segurando uma bolsa, olhava pela mesma janela mas parecia não estar naquele lugar. Nem ao seu lado, nem na calçada. Ele abaixou o olhar desinteressado. Voltou para Nova York, para o Homem Aranha e sua luta contra o crime. Cochilou.
Que calor louco... Opa, já estou chegado. Esse é o lugar onde eu desço. Pegou sua mochila. Nos ouvidos, Metallica no último volume. “Take a look to de sky just berofe you die, it´s the last time you will!”. Andou algumas quadras e chegou ao seu lugar. Sua casa.
Fim da primeira parte
Escrito por Zé às 16h54
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Casa nova, mesma merda
PoiZé... Por agora não convêm muitas explicações, basta que o leitor saiba que este quase-blog está em nova casa, nova URL, aquele papo todo. Mesmo em casa nova, devo lembrar àqueles que já conhecem a realidade da vida e àqueles que talvez ainda estão iludidos: "Não há vida além da mediocridade".
O que eu quero dizer com isso é muito simples, este continua a ser um blog absolutamente MEDÍOCRE, exatamente como você. Num futuro breve deverei ter mais bobagens para que estiver disposto a discordar de mim. Dentre as tantas dúvidas que tenho agora, a que mais me perturba é: que faço eu com os posts que tenho em meu antigo blog? A propósito, meu antigo blog é algo como http://zequalque.blig.com.br
Sem mais, bem-vindos, queridos medíocres.
Escrito por Zé às 22h33
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